17 dicas muito legais...
Por Taiane Gonçalves Dias
Tenho muitas histórias para contar, universos para explorar, dos quais quero compartilhar...
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Os Fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore
Um vídeo emocionante e poético, provando como os livros e a leitura são importantes em nossa existência. Uma fagulha perpétua da alma humana, pois somente os livros são eternos.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Margot - Arte
Bem, tentei criar um novo desenho conceitual da personagem, o original ficou muito melhor ( o scanner aqui é um lixo )....
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Conto
As horas pingam no relógio bolorento. Escrevo lento, na esperança de que a inspiração floresça em minha consciência, mas as folhas rabiscadas se aglomeram amassadas na lixeira. Que tormento e escrever, ofício maldito, onde as palavras soltas são confinadas em regras sem fim. Malditas sejam as regras, que aprisionam os versos no domínio das ideias. Signos, símbolos, letras, formam palavras que se conectam sem sentido...
O telefone não toca há dias, nem meus editores me procuram mais, será que fui esquecido?. Meus dias de glória se foram, que deprimente. Terminar a vida como uma mera lembrança, obliterar-se da memória humana, permanecendo como ecos de um fantasma atormentado.
Oh Deus, como fui terminar assim?...
Não me recordo de quando foi à última vez em que coloquei os pés para fora de casa, creio que a vida lá fora me assusta. O sol, o brilho, as cores não se encaixam em minha personalidade insossa.
As cartas chegam aos montes, não abri nenhuma delas. Os livros em minha estante já foram lidos e relidos centenas de vezes. Algumas noites atrás, algo me deixou intrigado, diante da porta encontrei um buquê de flores, com um pequeno cartão escrito ´´saudades``, teria eu o privilégio de ter uma admiradora secreta?...
Que pensamento absurdo. Quem iria se interessar por um homem de meia idade, dogmático, culto, sistemático, com hérnias de disco e sérias disfunções de ordem sexual?
Que loucura...
Na tentativa de não esquecer-me de quem sou eu. Procurei minha imagem em fotos antigas, revirando minhas memórias, encontrei uma imagem significativa, onde eu, vestido com as roupas do time de basquete da escola, sorria. Os cabelos castanhos desgrenhados, um magricela de olhos risonhos e vivos. Hoje, não sei o que é sorrir, e por mais que tentasse, apenas uma face distorcida surgiria em minha imagem, longe de ser um mero sorriso.
Bem, esperei o quanto podia suportar e a loucura já estudava formas absurdas de penetrar em minha mente, como um verme a se esforçar contra uma fruta podre. Recolhi todas as cartas, rasgando-as em plena fúria, revelando contas e mais contas, avisos de cobrança e despejo, até encontrar o que me intrigou de forma assustadora. No remetente;
Aos
Cuidados da Família Bowden e amigos.
De: Cemitério Novo Horizonte.
Abri o envelope um pouco temeroso, com a ideia de que algum parente havia enfim falecido. Havíamos perdido o contato uns com os outros, reunir-se em família era raro, reservado apenas para enterros e condolências. Percorri o texto com olhos lacrimosos.
É com pesar que anunciamos a todos os familiares e amigos o falecimento, do talentoso escritor Alexander Bowden. Em cerimônia de despedida realizada no dia 14 de março, lhe oferecemos nossas condolências e sua última homenagem...
Incrédulo, joguei o papel janela abaixo. Corri para o banheiro em busca dos meus remédios calmantes. Olhei-me no espelho, não me assemelhava a um morto, nem ao menos a alguém que goza da mais perfeita saúde, mas simplesmente parecia apenas vivo...
Meus remédios não estavam lá, haviam desaparecido, senti o palpitar do coração, as mãos suadas e o pânico a se espalhar. Gritei a plenos pulmões, para quem pudesse me ouvir, exigindo respostas...
Teria eu realmente morrido? Como?...
Se aquilo era um pesadelo, eu queria acordar...
Afastei os pensamentos cruéis de minha mente, seria impossível. Que tipo de piada cruel era aquela?
Não acreditando na ideia de minha própria morte, tomei a coragem necessária para abandonar minha clausura, com destino ao tal cemitério. Percorri ruas ermas, escuras e solitárias, cobertas por uma densa neblina, não havia alma viva a perambular...
Em poucos minutos, estava diante dos portões de ferro. Adentrei o cemitério quando a lua estava alta no céu.
Caminhei entre muitos túmulos e nomes, ecos de um passado em lembranças distantes, perambulei á procura de meu descanso final. Entre muitos e outros, procurei até a exaustão, sem encontrar, súbito a encontrei isolada das outras. Uma lápide simples, com meu nome impresso e a data de minha morte, 13 de março de 2012. Era uma terça feira, mas não me lembro de o que houve neste dia. Pois bem, ainda incrédulo, minhas mãos trêmulas tocaram a pedra fria.
Era inacreditável, incompreensível...Por quê?
Súbito uma ideia absurda surge, ao lado havia uma pá cravada a terra úmida. Comecei a escavar incansavelmente, como um cão faminto em busca do seu precioso osso. Cavei o mais fundo que pude, retirando a terra vermelha que cobria o caixão, até sentir o ruído leve da madeira de encontro à pá. Limpei a terra com as mãos, revelando a madeira lustrosa, a pequena tampa acima estava lacrada.
Respirei fundo, fechei meus olhos, limpei o suor que escorria pela face, retirei as travas com cuidado e encarei a face do morto, inchado com os lábios arroxeados e olheiras terríveis, jazia minha matéria quase que irreconhecível. Afastei-me da visão aterradora, descrente, apavorado e perdido...
- Eu morto? Como?...
Ouvi um som fraco de risos, elevei meu rosto molhado e sujo de terra, para encarar a expressão sorridente de uma pequena menina de olhos negros, sentada de forma indolente em minha lapide, cujo os pés diminutos pairavam no ar. Sorria de forma misteriosa, os olhinhos risonhos me fitavam atentos e curiosos.
- Esperei que você caísse na real... demorou heim! Para um escritor você é bem lerdinho...
- Quem é você? - notei algo diferente naquela pequena de cabelos negros presos em tranças. Usava um vestidinho azul escuro, com uma fita branca enlaçando a cintura.
- Ora..sou a morte quem mais haveria de ser? – colocou as mãozinhas na cintura revelando uma inocência medonha e forçada.
- Eu imaginei uma caveira aterradora com uma foice na mão...
Ela suspirou e revirou os olhos, provável que a minha observação lhe parecesse óbvia demais.
- Posso me apresentar como quiser. Posso ser uma criança, posso ser um velho decrépito ou até a aquela sua vizinha belíssima que você ficava expiando pela janela do banheiro...
Como ela sabia disso, me pergunto, visivelmente ruborizado.
- E então está pronto para partir, agora que sabe que está morto?
- Partir... – balbuciei, pois a ideia me parecia absurda – como eu morri?
- Suicídio... Não se lembra? – escarneceu – tirou toda a minha diversão, nosso encontro estava marcado somente para o dia 15 de dezembro de 2018. Enfim, você não teve paciência para esperar... – parecia insatisfeita.
- E como iria ser?...
Ela limitou-se a sorrir.
- Da forma mais criativa possível... – pude ver uma luz tênue malévola em seus olhos inocentes – e então, pronto para ir?
Um turbilhão de ideias confusas giravam sem fim em minha mente. Deixar de existir não estava em meus planos, não daquela forma, tudo bem, admito que pensei nisso diversas vezes quando a depressão me sugava para o fundo do poço. Mas deixar meu apartamento, meus livros, meus contos ainda na gaveta velha.
- Não quero ir, quero ficar em meu apartamento com os meus livros... Não posso partir...
- Você não pode ficar... – fora bem enfática e até mesmo ameaçadora.
- Por que não posso? Quero ficar...
- Irá ser obliterado, cair no esquecimento... Sem contar os problemas de ordem burocrática que isso iria me causar...
- Tem algo pior do que isso?
- Talvez... Creio que você não tem muita opção...
- Para onde vamos? – perguntei eu em minha total inocência a respeito dos assuntos espirituais, segurei em suas pequenas mãos frias, adentrando a escuridão de encontro a lugar algum.
- Para um lugar que os suicidas merecem, repleto de diversões e aventuras inesquecíveis...
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Mais uma Antologia - Conto Lobotomia
Ontem, recebi mais uma boa notícia, fui aprovada para mais uma antologia da Editora Andross, Caminhos do Medo V.II, com o conto Lobotomia. Somente este ano, contando com esta já são três participações, sendo que em uma delas, a antologia da Editora Literata - Sombrias Escrituras, participo com dois contos.
Rumo ao infinito e Além...
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Livros e afins - Projeto Guardiões da Noite...
Finalmente..terminei de escrever e revisar o meu primeiro romance ( Guardiões da Noite ), e esta passando pelo test drive com três amigos meus... até agora estão gostando....vou começar a trabalhar no segundo (que não será a sequência dos Guardiões, que também irei começar a trabalhar ainda neste ano )logo, logo... o nome Apocalipse em Magnólia....aguardem...
sábado, 14 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
As ùltimas quatro coisas - Paul Hoffman
Neste segundo volume da série A Mão Esquerda de Deus, acompanhamos a vida de Thomas Cale, que retorna ao domínio de Bosco, depois de descobrir o amor, e ser traído por ele. Vemos um personagem que se afunda no próprio ódio, e que realiza o seu trabalho como o flagelo da humanidade, comandando exércitos e realizando muitos funerais. Bem, posso dizer que gostei muito mais do primeiro volume, pois o segundo me pareceu muito maçante ( tanto que demorei muito para ler, parecia mais um remédio amargo demais para engolir de uma vez só )...
O narrador exagera nas descrições ( desnecessárias e prolixo em demasia ) e aborda de forma leviana alguns tabus sociais ( sexo, mulheres, preconceito, fanatismo religioso... ). Mas também existem aspectos positivos, como os diálogos irônicos e diretos...O livro se torna realmente interessante apenas no final, deixando aquela curiosidade para o próximo volume...
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Mansão Jafet - 1943
Esta mansão construida em 1934, pelo eng. Eduardo Jafet.
Esta Mansão é o cenário do personagem Limian, usada como casa Noturna de nome Vampirella.
Maiores informações, somente nos livros... Heheheheh
Esta Mansão é o cenário do personagem Limian, usada como casa Noturna de nome Vampirella.
Maiores informações, somente nos livros... Heheheheh
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Lançamento - Tratado Secreto de Magia II e Anno Domini II -26.11.12
A Turma Toda
( David & Eli, Daniel, Wesley, Eu e o meu Amor, Rodrigo, Rebeca e Eddy Khaos )
Foi um dia inesquecível, me diverti muito na companhia de bons amigos.
A turma e a minha Irmã, ao centro.
Que fofo...
Duendes Apaixonados
( detalhe aos peitos da Sra Duende, tem algo errado...)
Rebecca e o Duende Aliciador de Veados.
Esta cara não me engana...
Não sei quem tirou foto das minhas narinas...
Perspectiva; é TUDO...
E no final, lanche no Ragazzo, na Augusta.
Nosso Amigo resolveu fazer uma macarronada de batatas fritas.
sábado, 19 de novembro de 2011
Dicas de Leitura
Os livros resgatam a tradição oral ao contar histórias de terror que fazem parte de diversas culturas que lentamente se incorporaram á própria cultura Brasileira. leitura fácil, cativante e divertida...
Autor; Adriano Messias
HISTÓRIAS MAL-ASSOMBRADAS DE PORTUGAL E ESPANHA
André continua a se deparar com monstros e assombrações, desta vez vindos de Portugal e Espanha!..
HISTÓRIAS MAL-ASSOMBRADAS DO CAMINHO VELHO DE SÃO PAULO
Série Contos para Não Dormir - Volume 4 - Neste livro, André se depara com narrações assombrosas de sua avó. Várias assombrações de porteiras, estradas e da semana santa percorrem o livro do início ao fim.
HISTÓRIAS MAL-ASSOMBRADAS DE UM ESPÍRITO DA FLORESTA
Série Contos para Não Dormir - Volume 3 - André entra no universo das assombrações amazônicas e indígenas e conhece um índio muito sábio.
HISTÓRIAS MAL-ASSOMBRADAS DO TEMPO DA ESCRAVIDÃO
Série Contos para Não Dormir - Volume 2 - André passa horas ouvindo (e vivendo!) as histórias assombrosas contadas por uma negra centenária e cheia de afeto.
HISTÓRIAS MAL ASSOMBRADAS EM VOLTA DO FOGÃO DE LENHA
Série Contos para não dormir - Volume 1 - André passa uma noite toda conversando com seu avô e ouvindo seus casos de arrepiar. Será que todos foram verdade?
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Palestra - Jornada de Educação
18/10/2011
Anfiteatro - Prédio 1 (19h00 – 19h30)
Letras, palavras e Literaturas: da sala de aula à produção e publicação de obras
Palestrante convidada: Taiane Gonçalves Dias (Ex-aluna do curso de Letras)
Irei Palestrar amanhã, para os alunos do curso de Letras e outras Licenciaturas, dividir as minhas experiências como escritora e professora.
Endereço;
Unidade Uniban ABC
Av. Rudge Ramos, 1.501. São Bernardo do Campo
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Anno Domini - Volume 2 - Conto; Rainha Negra
Fui aprovada para mais um seleção em antologia, desta vez ANNO DOMINI - Volume 2 da Andross Editora, com o conto A Rainha Negra.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Tratado Secreto de Magia - II
Capa Oficial
TRATADO SECRETO DE MAGIA - VOLUME 2
Lindo!!!!!!
Lançamento previsto para Novembro deste ano, com mais uma participação minha, com o conto ´´ Feitiço Perfeito``.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Literatura
Olá, hoje recebi a confirmação de participação em mais uma antologia. Com mais um conto de terror, que provavelmente será lançado o ano que vem. Com este, já conto com 5 trabalhos publicados em três antologias. sem contar a produção do meu primeiro livro solo, do qual irei postar em breve mais informações a respeito. ( aguardem, pois estou caprichando )
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Livros - Assinado, Mata hari
Esposa, mãe, dançarina, cortesã e talvez, espiã...
Esta era Mata Hari, uma figura envolta em mistérios, que se consolidou como um ícone cultural feminino. Sendo o símbolo da ousadia e coragem feminista. Neste excelente livro, um romance baseado na vida desta personagem, vemos Mata Hari em sua forma humana, desde o princípio na Holanda, aos palcos de Paris, e ao final sentenciada a morte, acusada de espionagem. Um retrato lirico de uma mulher que transformou-se em símbolo de sensualidade e erotismo. Admiro-a pois, ela rompeu com todos os padrões culturais impostos pela sociedade da época, fazendo uso de sua beleza e seu poder exótico diante dos homens
Esta era Mata Hari, uma figura envolta em mistérios, que se consolidou como um ícone cultural feminino. Sendo o símbolo da ousadia e coragem feminista. Neste excelente livro, um romance baseado na vida desta personagem, vemos Mata Hari em sua forma humana, desde o princípio na Holanda, aos palcos de Paris, e ao final sentenciada a morte, acusada de espionagem. Um retrato lirico de uma mulher que transformou-se em símbolo de sensualidade e erotismo. Admiro-a pois, ela rompeu com todos os padrões culturais impostos pela sociedade da época, fazendo uso de sua beleza e seu poder exótico diante dos homens
Fica ai, esta ótima dica de leitura...
sexta-feira, 29 de julho de 2011
O que eu estou Lendo?
Finalmente, terminei de ler... depois de um mês, ( admito que enrolei bastante )
Gostei e estou ansiosa a espera do próximo volume, uma leitura espetacular, onde somos mergulhados em um universo tão real quanto o nosso, onde o imprevisìvel nos surpreende....
Estou a ler este, quase terminando. Um livro engraçado, que nos da outra visão, distante das cartilhas educacionais que condicionam o aluno a uma visão histórica tão limitada. È como diz, conheça o seu passado, para compreender o seu futuro.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Conto
Role Playing Game
- Você sabe que horas começa? – perguntou uma moça, aparentando não mais do que dezessete anos, usando uma maquiagem pesada, e roupas inteiramente negras.
- Disseram, que deveríamos estar aqui ás nove – respondeu o rapaz, que usava um sobretudo e uma camisa carmesim – já deveriam estar aqui, estão atrasados.
- Sabe ás vezes acho que você se preocupa demais com a pontualidade, deveríamos ter vindo mais tarde. Alias, só estou aqui porque alguém insistiu muito...
- Você disse que queria aprender a jogar, e estamos aqui. Se vai começar a reclamar, da próxima vez você faz a sua ficha sozinha.
- Você não me disse que iríamos a um cemitério, ainda mais esse aqui – sentiu um arrepio percorrer o seu corpo, não gostava de cemitérios – que de consolação, não tem nada. Eu mudaria o nome para desolação.
- Por favor, fique quieta, se não os guardas irão nos ver. – se esgueiravam pelas sepulturas.
- Estou com fome, quando o live terminar iremos ao Macdonalds?
- Iremos se calar a boquinha irmãzinha. – disse o irmão mais velho, já impaciente pelo atraso dos amigos, que a cada quinze dias combinavam o encontro para jogar, dessa vez, escolheram um local um pouco mais ousado.
Ao longe avistaram um homem que caminhava entre as lápides, usando uma lanterna que lhes ofuscava a visão.
- Quem esta ai? Identifique-se! – percorria os corredores a procura da voz que ali estava.
- Fique quieta... – o irmão sussurrou, tapando os lábios da menina. Olhou ao redor e havia uma cripta esquecida, da qual o musgo já cobria as paredes. A porta feita de algum tipo de metal estava entreaberta. Arrastou a irmã para dentro, e fechou. A lamina de luz aproximava conforme os passos do policial, estava próximo demais, os dois jovens prenderam a respiração, e os olhos da menina estavam arregalados, afinal, o que seus pais iriam pensar se fossem pegos em um cemitério, sendo que o irmão havia dito que iriam ao cinema, iria ser uma noite longa, com muitos sermões para ouvir. E tudo começaria com um simples – Quando tinha a sua idade, tinha mais responsabilidade..., o discurso não mudava, independente da ordem das palavras, o teor do discurso paterno era o sempre o mesmo.
Teriam de sair daquela situação o mais rápido possível, se não quisessem que aquele guarda noturno descobri-se seu paradeiro. Ouviu-se um crac, os pés se moviam entre algo pegajoso em algumas partes, a menina pediu a Deus que não fosse um defunto. Seu pé, havia se afundado em uma tampa de madeira, o concreto que cobria a sepultura havia rachado, e a perna mergulhava até o tornozelo na escuridão. Com as mãos nos lábios, ela abafou um grito agudo. O rapaz pegou um isqueiro e iluminou o interior da cripta, tentou disfarçar o olhar de horror, quando a luz tímida do fogo iluminou um cadáver em decomposição, úmido com a boca escancarada, exibindo a fileira de dentes pontiagudos e brancos, no peito uma estaca velha estava presa e as mãos do morto a seguravam com força. Os olhos inexistentes, eram apenas buracos negros, o nariz reduzido a apenas duas pequenas aberturas ressecadas. Ele evitou que sua irmã o olha-se, seria melhor assim. Pois provavelmente o grito de horror da menina seria ouvido a quarteirões de distância, e assim seu esconderijo seria revelado.
- Não olhe, esta bem, faça o que eu mandar e não olhe. – tentava disfarçar o nervosismo em sua própria voz, estava assustado mas não queria que ela notasse.
- Oh, meu Deus... o que é isso? Diga que não é um... – não queria dizer, apenas absorvia o odor quente que subia até as suas narinas, o suor escorria pela testa lisa e as mãos tremulas agarravam com força o casaco do seu irmão.
- Não olhe, confie em mim, Ana.- puxou devagar o tornozelo da menina, que suprimiu um grito de dor. A perna estava ferida, com muitos arranhões no tornozelo, alguns com pequenas gotas de sangue. – Fique ai, não se mexa – teria de leva-la a um médico, pois o inchaço já era visível. – Teremos de ir ao pronto socorro, sua perna esta inchada.
- O que vamos contar pro pai e pra mãe, como vamos explicar isso? – apoiava um dos braços do pescoço do irmão, enquanto seu rosto permanecia na direção contraria de onde seu pé estava, não queria olhar.
- Direi que você caiu na rua, pronto... – ele parou para observar mais de perto o cadáver, notou que os caninos eram grandes e pontudos demais para um ser humano normal. Sentiu uma vontade de puxar a estaca cravada no coração do morto, esticou a mão e segurou com força a madeira úmida, a retirou devagar enquanto ouvia o som gosmento de carne em decomposição.
- O que é isso, meu Deus – olhava para o morto com fascínio, desejando que aquilo fosse apenas mais um corpo pútrido, e não de um morto vivo adormecido, afinal de contas, aquilo não existia, era fato. Em um impulso inconsciente, Ana se virou, pousando os olhos lacrimosos sobre o corpo, os músculos se enrijeceram, e um grito agudo e cortante explodiu em sua garganta, ecoando para quem pudesse ouvir.
Logo o guarda estava diante deles, com a lanterna em punho. Esses malditos adolescentes. Pensou. Antes de ouvir os sussurros, estava tranquilamente em sua cabine, agora estava a ligar para os pais daqueles dois, uma adolescente chorosa de maquiagem escura e borrada, e um rapazinho com cara de assustado. Os encontrou caminhando pelas lápides, fugindo de algo.
- O que estavam fazendo!? – tentava demonstrar autoridade em sua voz, mas no fundo não se importava, já não era a primeira vez que adolescentes faziam visitas noturnas sem autorização.
- No..nossos amigos, iríamos jogar RPG, e ai... – tentava se explicar o rapaz, mas não importava, pois para ele aquela sigla tinha a ver com alguma coisa de fisioterapia para velhos.
- Tem um corpo lá... – disse a menina.
- Você esta em um cemitério, é claro que aqui há corpos – respondeu.
- Um corpo com uma estaca, uma estaca cravada no peito – disse enxugando as lágrimas negras que lhe ardiam os olhos. – nós vimos...
O guarda sem demonstrar boa vontade foi até o lugar indicado, iluminou a sepultura, mas para a surpresa de todos, estava vazia.
- Não pode ser, estava ai...a gente viu! – disse o rapaz.
- Vocês estão tirando uma com a minha cara! – por um momento ele quase acreditou naquela brincadeira, pelas expressões de medo dos dois – Eu tenho mais o que fazer – não ele não tinha, provavelmente ficaria a noite toda ´´lendo`` revistas pornográficas – Vou ligar para os pais de vocês, quero os dois fora!...
- Mas...mas – antes de completar a frase, já estavam sendo guiados ao empurrões para a sala de segurança.
E a noite terminou, com os pais dos irmãos na porta do cemitério, a mãe aborrecida e preocupada e o pai muito mais aborrecido do que preocupado. Provavelmente o sermão da noite, seria lembrado por gerações. Quando o carro partiu, o guarda retornou a seu trabalho, caminhou ouvindo apenas os seus passos no chão, sem ninguém para incomoda-lo.
Enquanto cantarolava uma música qualquer com assovios, sentiu um vento gélido a envolver as suas pernas, os passos que ouvia agora se multiplicavam, e ele sabia que não estava sozinho. Deve ser o vento, imaginou. Mas ouviu algo se arrastar, um som de folhas secas que percorriam o chão de pedra. Quando se virou, seus olhos encontraram os olhos vazios da criatura que estendia as mãos em sua direção. As narinas se moviam como se farejassem algo, quando o encontrou caminhou em sua direção.
E na noite eterna, escura e sombria, ouvi-se um grito de horror a rasgar o silêncio dos mortos.
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